

Um novo estudo publicado na revista Nature Medicine detalhou, pela primeira vez, como a tirzepatida — princípio ativo do Mounjaro — reduz o impulso da compulsão alimentar.
A pesquisa demonstrou que o medicamento modifica sinais elétricos no núcleo accumbens, região cerebral associada ao prazer, à recompensa e a comportamentos aditivos.
A descoberta reforça que episódios de compulsão não são falta de força de vontade, mas resultado de alterações biológicas, emocionais e comportamentais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 4,7% dos brasileiros convivem com transtornos alimentares, o que inclui compulsão, bulimia e anorexia.
Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia monitoraram pacientes com obesidade e compulsão alimentar que possuíam eletrodos implantados no núcleo accumbens. Em uma das pacientes, que já usava tirzepatida, foram registradas alterações espontâneas na atividade elétrica da região, compatíveis com redução do impulso de comer.
Segundo a autora principal do estudo, Wonkyung “Woni” Choi, a paciente relatou que o “barulho alimentar”, termo usado para descrever pensamentos constantes sobre comida, havia desaparecido.
A endocrinologista Elaine Dias JK, PhD em endocrinologia e metabologia pela Universidade de São Paulo (USP), explica que os episódios compulsivos costumam surgir em momentos de estresse, exaustão emocional e ansiedade.
“O cérebro busca alívio imediato em alimentos muito palatáveis. Isso traz conforto por alguns minutos, mas depois vem a culpa. Quando o paciente chega ao consultório, muitas vezes já desenvolveu diabetes, hipertensão e outras doenças associadas”, afirma.
A endocrinologista explica que a tirzepatida não é uma cura, mas um recurso terapêutico para quadros específicos, sempre aliado a mudanças emocionais e comportamentais.
Entre as estratégias recomendadas estão:
O estudo não representa cura para a compulsão alimentar, mas inaugura uma linha promissora de pesquisas ao mostrar pela primeira vez a atividade neural envolvida no comportamento compulsivo — e como ela pode ser modulada.
Para especialistas, compreender a base neurológica da compulsão é um passo essencial para reduzir o estigma e ampliar o acesso a tratamentos adequados.