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Agricultor da Zona da Mata de Pernambuco doará rim a irmã; procedimento reforça importância do transplante entre vivos

Até setembro de 2025, cerca de 5 mil transplantes renais foram realizados no Brasil. Desse total, apenas 13% foram feitos com doadores vivos

Publicada em 20/01/2026 às 16:37h - 2201 visualizações

por Cinthya Leite


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Um gesto de solidariedade entre irmãos vai marcar mais um transplante renal entre doadores vivos em Pernambuco. No início de fevereiro, um agricultor do município de Primavera, na Zona da Mata do Estado, doará um rim para a irmã em uma cirurgia que será realizada no Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Cidade Universitária, Zona Oeste do Recife. 

O procedimento entre doadores vivos, que reforça tanto os avanços médicos quanto o caráter humano da doação, tem se afirmado como uma alternativa estratégica para reduzir o tempo de espera de pacientes com insuficiência renal crônica pelo transplante e ampliar as chances de sucesso do tratamento. 

A cirurgia será conduzida pela 

equipe

 de Urologia do HC-UFPE, sob a coordenação do urologista Eugênio Lustosa, preceptor de Urologia do hospital e especialista em transplante renal.

Para o médico, iniciativas como essa evidenciam a importância da informação e da conscientização sobre a doação entre vivos. "Além da técnica e da ciência, o transplante entre vivos carrega uma dimensão humana muito forte. É um gesto de solidariedade que transforma a vida de quem recebe e, muitas vezes, de toda a família", destaca.

Diferentemente do transplante com doador falecido, a doação entre vivos permite melhor planejamento cirúrgico, menor tempo de isquemia do rim e índices mais elevados de sobrevida do enxerto.

A modalidade também possibilita antecipar o tratamento de pacientes com doença renal crônica, muitas vezes antes mesmo do início da diálise ou logo nas fases iniciais do tratamento, o que contribui para uma melhora significativa na qualidade de vida.

 

DIVULGAÇÃO
"Além da técnica e da ciência, o transplante entre vivos carrega uma dimensão humana muito forte", diz o urologista Eugênio Lustosa - DIVULGAÇÃO

Segundo Eugênio Lustosa, as vantagens clínicas são expressivas. "O rim doado por uma pessoa viva geralmente funciona mais rápido e por mais tempo, algo em torno de 15 a 20 anos. Além disso, o paciente pode ser transplantado antes mesmo de iniciar a diálise", explica. Outro benefício direto é a contribuição para reduzir a fila de espera por transplantes no País.

No Brasil, a doação renal entre vivos é permitida desde que haja vínculo familiar ou autorização judicial, no caso de doadores não aparentados. Todo o processo é precedido por uma avaliação rigorosa do doador, com exames clínicos, laboratoriais e de imagem, além de acompanhamento psicológico.

"A segurança do doador é absoluta. Só seguimos com a cirurgia quando temos certeza de que ele poderá levar uma vida normal com apenas um rim", ressalta o especialista. Na maioria dos casos, o procedimento é realizado por técnicas minimamente invasivas, o que reduz o tempo de internação e acelera a recuperação.

Dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), mostram que o rim é o órgão mais transplantado no Brasil. Atualmente, mais de 40 mil pessoas aguardam na fila de espera. Em 2025, até setembro, cerca de 5 mil transplantes renais foram realizados no País, sendo 13% deles com doadores vivos.

Em Pernambuco, no mesmo período de 2025, foram realizados 343 transplantes de rim, dos quais 23 ocorreram com doadores vivos. Desses procedimentos, 12 foram realizados no Hospital das Clínicas da UFPE, o que reforça o papel da instituição como referência estadual na área.

Com taxas de sucesso que superam 90% de funcionamento do enxerto após cinco anos, o transplante renal entre doadores vivos se consolida como uma estratégia essencial para ampliar o acesso ao tratamento e melhorar a qualidade de vida de milhares de pacientes em Pernambuco e em todo o Brasil.

 




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